Mestrado Profissional Em Jornalismo

Apresentação

O programa de MESTRADO PROFISSIONAL EM JORNALISMO do FIAM-FAAM – CENTRO UNIVERSITÁRIO foi recomendado pelo Conselho Técnico Científico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTC-CAPES) na reunião de 24 a 26 de março de 2015 e desenvolve estudos e pesquisas na área de práticas jornalísticas a partir de duas linhas de pesquisa: “Linguagens Jornalísticas e Tecnologias” e “Jornalismo e Mercado de Trabalho”.

Os processos, práticas e produtos jornalísticos se reconfiguram no mundo contemporâneo em um cenário caracterizado pela convergência tecnológica e o surgimento de novos atores midiáticos, o que implica em múltiplas formas de fazer, pensar e consumir jornalismo.

O programa forma mestres que tenham domínio da metodologia e dos fundamentos científicos pertinentes, bem como de procedimentos e processos aplicados à área profissional, a partir de uma perspectiva multidisciplinar e sem desconsiderar a especificidade dos fenômenos jornalísticos.

 

Da mesma forma, os egressos devem ser capazes de planejar, aperfeiçoar e intervir em processos e produtos junto a organizações públicas e privadas, empresas, cooperativas, organizações não-governamentais e outros ambientes relevantes à atuação do profissional jornalista.

Diferencia-se dos demais mestrados acadêmicos na área de Comunicação por estreitar as interfaces entre a academia e o setor produtivo, considerando os múltiplos atores que compõem o mercado de trabalho, visando à geração de conhecimento teórico e empírico aplicado ao campo profissional e produzir conhecimentos que atendam a demandas sociais e do mundo do trabalho, com vistas ao desenvolvimento socioeconômico e cultural do país.

Processo Seletivo

O ingresso no Curso de Pós-Graduação – Mestrado Profissional em Jornalismo se dará por processo seletivo a ser organizado e realizado pela CPG.

A CPG estabelecerá os períodos de inscrição e as regras de seleção para alunos regulares.

Por ocasião da matrícula inicial, o aluno regular deverá apresentar a aceitação de um orientador, credenciado no curso de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Jornalismo.

O Coordenador do curso de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Jornalismo poderá assumir a orientação durante o primeiro semestre, na ausência de um orientador.

O processo seletivo para o Mestrado Profissional levará em consideração:

  • a) Curriculum Vitae comprovado do candidato, destacando sua produção técnica e experiência profissional na área do curso;
  • b) Apresentação de pré-projeto de pesquisa;
  • c) Ser aprovado no exame de Língua estrangeira realizado por ocasião da prova de seleção dos alunos.
  • d) Entrevista com a comissão de seleção.

O aluno matriculado no Curso de Mestrado Profissional submeter-se-á ao processo periódico (semestral) de inscrição em disciplinas obrigatórias e eletivas que integram sua estrutura curricular, em conformidade com sua proposta acadêmica.

Não será permitido o aproveitamento de créditos de disciplinas eventualmente cursadas em mestrados ou doutorados nem em qualquer nível de curso de outros Programas de Pós-Graduação no Brasil ou no exterior.

O desligamento de aluno do curso de Mestrado Profissional, a ser homologado pela CPG, ocorrerá em função de pelo menos uma das seguintes condições:

  • a) ter ultrapassado o prazo máximo de duração do Curso, fixado por este Regimento, que é de 24 (vinte e quatro) meses ou o prazo de 24 meses mais 6 (seis) meses de prorrogação aprovada pela CPG;
  • b) deixar de realizar inscrição em disciplina(s) em qualquer período letivo;
  • c) ter insucesso na apresentação e defesa da dissertação;

Periodicidade de Seleção: Semestral
Vagas por Seleção: 10

Descritivo de Bolsas

Regulamento para concessão de bolsa institucional do programa de suporte aos mestrados acadêmico e profissional – Descritivo de Bolsas

Periódico FIAM-FAAM

Parágrafo – Revista Científica de Comunicação Social da FIAM

Editor: Rafael Rafael Grohmann
A Revista Parágrafo é uma publicação semestral da área de Comunicação destinada a professores, estudantes, profissionais e interessados que aceita colaborações em fluxo contínuo de trabalhos originais e inéditos, de autoria individual ou coletiva, sob a forma de artigo, ensaio ou resenha.
Mais informações acesse o site
http://www.revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/about/index

Fale Conosco

Secretaria do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu
3132-3033 – Ramal: 1521
Horário de atendimento:
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Matriz Curricular

Disciplinas Obrigatórias

Epistemologia, Pesquisa e Conhecimento Cientifico. Construção do Objeto e Desenho de Pesquisa. Problema de Pesquisa e Formatação dos Projetos teórico-práticos. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Jornalismo: pesquisa quantitativa e qualitativa. Análise e elaboração de projetos de pesquisa em Jornalismo relacionado às práticas jornalísticas. Gestão de Projetos e Produtos

A representação das práticas profissionais e dos papeis sociais dos jornalistas nas diferentes teorias do jornalismo. A construção da identidade profissional e os estudos sociológicos da profissão. A noção de objetividade no jornalismo: estratégia e autoridade. Cultura profissional, rotinas de produção e dilemas do cotidiano de trabalho. Rotinas profissionais, gêneros e valores noticiosos

A disciplina tem como enfoque a discussão de temas comuns a cada linha de pesquisa (“Linguagens Jornalísticas e Tecnologias” e “Jornalismo e Mercado de Trabalho”), a partir de textos teóricos de referência e dos projetos de pesquisa em andamento, desenvolvidos pelos discentes do programa.

Total Disciplinas Obrigatórias 12 cred. 180h

Disciplinas Eletivas

Linha 1 – “Linguagens Jornalísticas e Tecnologias”

Interfaces entre o jornalismo e o audiovisual. Formatos televisivos e Telejornalismo. Televisão e Mídias Digitais. Jornalismo, Televisão e Educação: a dimensão pública. Pensando novos formatos: produção de conteúdos audiovisuais multimídias para cinema, TV, vídeo e dispositivos móveis. Webjornalismo audiovisual

Jornalismo, linguagens e recepção na era da convergência e da participação. Midiatização e circulação dos discursos em ambientes digitais. Jornalismo e zonas de contato entre as instâncias comunicativas. Redes Sociais, práticas jornalísticas e usuários produtores de conteúdo. Dispositivos de análise de recepção e circulação em meios digitais.

O jornalismo na era das mídias digitais. Plataformas, linguagens, tecnologias e ambientes de relacionamentos. Apropriações sociais geradas em torno dessas ferramentas. A dinamicidade das relações de quem produz e consome informações. Gestão de conteúdo. Monitoramento e medição. Diferentes canais de produção de conteúdo em mídias sociais. Impacto na sociedade e nas organizações.

A escrita contemporânea nos remete à linguagem que entrelaça verbo, som e imagem na mesma cadeia de produção de sentido. Referimo-nos, claro, à linguagem digital. A disciplina se propõe a refletir as diferentes lógicas oriundas dessa linguagem e suas implicações no jornalismo, ofício sensível às transformações da mesma. Uma expressão de linguagem jornalística que nos interessa sobremaneira é a do jornalismo literário. Pretendemos não apenas estuda-lo, mas também, por meio de práticas (oficina), elaborá-lo, na medida do possível. Outro ponto a ser explorado é a diferente configuração dessa expressão de linguagem jornalística frente às tecnologias digitais.

O jornalismo e tecnologias digitais. Mídia impressa, eletrônica e digital no contexto histórico das tecnologias da comunicação. O processo de convergência midiática e os novos dispositivos de comunicação. Mudanças no fazer jornalístico e a construção da notícia em tempo real. A velocidade como o desafio e as novas responsabilidades profissionais. Jornalismo participativo. O fenômeno da blogosfera e o crescimento do jornalismo online. A linguagem hipermidiática e os novos tipos de participação dos atores sociais no processo comunicacional e no âmbito cultural. As metodologias de trabalho

É senso comum entre os estudiosos da Comunicação que as novas tecnologias alteraram profundamente o consumo dos produtos jornalísticos. Tal comportamento é derivado da dificuldade de concentração por períodos medianos em atividades intelectuais, bem como da dificuldade para compreensão de narrativas mais complexas, refletindo-se no pouco interesse pelas produções jornalísticas nos formatos mais ortodoxos, sobretudo no formato impresso, em detrimento do grande interesse por programas híbridos entre jornalismo e humor. Por outro lado, tornou-se inviável a criação de um produto jornalístico que se encerre exclusivamente na televisão, na publicação impressa ou no rádio, posto que o público espera – e exige – interagir com o conteúdo proposto além das tradicionais participações via carta ou chamadas telefônicas. Tal constatação revelaria um paradoxo. A inovação tecnológica, que possibilitou a multiplicação infinita de acesso à informação, não levou à maior capacitação crítica do indivíduo, não estimula o interesse e o comprometimento pelo e com o bem comum, mas, reflete-se na desinformação, inversamente proporcional à atualização e capacitação tecnológica; num estado letárgico enquanto maturação intelectual, inversamente proporcional à energia frenética para jornadas infindas em conversas sem sentido nas redes sociais. Nessa perspectiva, devem ser valorizadas as múltiplas possibilidades de desdobramentos de conteúdo, favorecidas pelas inovações tecnológicas, que apontam para a consolidação dos conceitos de interação, acessibilidade e sincronicidade na base do processo de concepção dos produtos midiáticos, ou seja, não é mais possível pensar no formato tradicional do telejornal, mas é necessário concebê-lo, já na origem, considerando seus desdobramentos, a saber sites, versões para celular e tablet, entre outros. Devem, porém, ser valorizadas para despertar interesse pelo conteúdo, problematizando-o e assim estimulando a participação ativa e crítica no debate público. Objetivos: Geral: Pretende proporcionar um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que, num primeiro momento, capacite-os a identificar e refletir criticamente sobre conteúdos, linguagens e formatos das produções jornalísticas; num segundo momento, tal capacitação possibilitará compreender as articulações da tríade conteúdo, linguagem e formato para, num terceiro momento, legitimar a experimentação de novos produtos. Específicos: 1. Desenvolver uma percepção crítica em relação a formatos, linguagens e conteúdos jornalísticos; 2. Favorecer a organização do pensamento para a construção do relato jornalístico; 3. Despertar e estimular a criatividade em relação à produção jornalística; 4. Capacitar para a utilização dos instrumentais necessários à revisão dos formatos, linguagens e conteúdos jornalísticos; 5. Contribuir para a consolidação dos conceitos de interação, acessibilidade e sincronicidade na base do processo de concepção dos produtos midiáticos. Conteúdo: 1. Fundamentos metodológicos para análise midiática; 2. Processos criativos de construção narrativa; 3. Interatividade e produção jornalística; 4. Segmentação de Público: identificação e caracterização; 5. Universo temático e vinculação com público alvo; 6. Formatos jornalísticos em relação à dinâmica dos veículos; 7. Narrativas jornalísticas em relação à dinâmica dos veículos; 8. Relações entre Público, Veículo, Formato e Narrativa.

Total Disciplinas Eletivas 24 cred. 358h

Disciplinas Eletivas

Linha 2 – “Jornalismo e Mercado de Trabalho”

A disciplina procura contextualizar a situação do mercado de trabalho no Brasil atual e como pode ser compreendido o mercado de trabalho jornalístico, em perspectiva macro e micro. Cenários, dilemas e desafios da profissão de jornalismo no século XXI. Quem são os jornalistas: perfis, discursos e novas configurações identitárias. Papeis e práticas do jornalista na era digital. Requisitos para o jornalista no mercado atual. Mercado de trabalho e campos de atuação alternativos. Metodologias de análise de situações de trabalho em jornalismo.

Princípios de administração aplicados ao jornalismo. Novos modelos de negócio. O jornalista como empreendedor. Gestão de equipes no ambiente de trabalho. Comunicação Organizacional e Jornalismo. Gestão de Projetos Editoriais.

A especificidade do jornalismo investigativo. A rotina produtiva dos repórteres da área. Métodos de trabalho e procedimentos de investigação. A seleção do tema. A relação com as fontes. Questões éticas e jurídicas. Reportagens de referência. Perspectivas de atuação profissional. Novas tecnologias e desafios do Jornalismo Investigativo.

O papel da publicidade no mercado jornalístico atual. Noções fundamentais de publicidade e marketing para jornalistas. Jornalismo impresso e os desafios mercadológicos. Plataformas digitais e novos modelos de negócio. Captação de Recursos e Prospecção de mercado.

Total Disciplinas Eletivas 16 cred. 240h

Coordenação

Prof. Francisco de Assis

Doutor e Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Concluiu a pós-graduação lato sensu em Jornalismo Cultural pela mesma instituição. Graduado em Jornalismo pela Universidade de Taubaté (UNITAU). É vice-coordenador no grupo temático Estudios sobre Periodismo, mantido pela Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (Alaic). Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase na subárea Jornalismo e Editoração, atuando principalmente nos seguintes temas: teoria do jornalismo, gêneros jornalísticos, jornalismo cultural, jornalismo de variedades, jornalismo diversional, história da imprensa e/ou do jornalismo, práticas jornalísticas, rotinas produtivas e identidade profissional em jornalismo.

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Estrutura de pesquisa

Projetos de Pesquisa

Linguagens Jornalísticas e Tecnologias


Linguagens Jornalísticas e Tecnologias

Investiga a multiplicidade de linguagens jornalísticas e propõe novas formas de atuação e produção, considerando um contexto marcado pela presença das tecnologias digitais e a participação ativa de novos atores midiáticos, com implicações sobre os processos e produtos jornalísticos. São temas dessa linha de pesquisa: a) novas linguagens no jornalismo e suas interfaces, considerando o contexto tecnológico, o webjornalismo e o jornalismo multiplataforma; b) a reconfiguração das narrativas e seus impactos sobre os processos de noticiabilidade e valores referenciais do jornalismo; c) as novas condições de recepção e circulação jornalística em ambiente digital e como isso impacta as linguagens.


Jornalismo e Mercado de Trabalho


Jornalismo e Mercado de Trabalho

Envolve a reflexão e a capacitação do profissional nos diferentes contextos de atuação jornalística configurados a partir de mudanças no mercado de trabalho. São temas desta linha de pesquisa: a) a gestão dos processos de comunicação no ambiente de empresas jornalísticas, redes sociais e setores de comunicação organizacional (que se apoiam em referências jornalísticas); b) as práticas do jornalismo empreendedor, no sentido de gestão dos próprios negócios e de criação de oportunidades de trabalho; c) as interfaces do jornalismo com outras áreas do conhecimento, em um cenário de valorização de um perfil profissional polivalente e de convergência midiática e tecnológica; d) análise de situações de trabalho, rotinas e práticas profissionais em jornalismo, desenhando possíveis propostas de intervenção.

O Mestrado Profissional em Jornalismo do FIAM-FAAM – Centro Universitário edita a Revista Parágrafo: http://revistaseletronicas.fiamfaam.br


Descrição dos Projetos

Responsável: Prof. Dr. Vicente Darde

A proposta do projeto é identificar e compreender as estratégias discursivas adotadas pelo telejornalismo de referência na construção de representações sobre a cidade de São Paulo para o público local e nacional. Quais as representações (re)construídas pelas narrativas jornalísticas acerca da cidade e sua população? Temas como a ocupação dos espaços públicos, sustentabilidade e meio ambiente, educação, saúde e transporte público; convivência da diversidade cultural, racial, sexual e religiosa; entre outros temas relacionados à maior cidade do país. Como os telejornais se apropriam de novas narrativas e linguagens, como por exemplo a participação do público telespectador por meio de novas tecnologias, para modificar representações sobre a cidade. Buscamos problematizar se há espaços no jornalismo para representações de valores identitários distintos e plurais. Entendemos que na rotina diária da produção jornalística há vários constrangimentos, de tempo e espaço, que acabam contribuindo para o enquadramento dessa problemática de forma simplificada, atendendo ao senso comum e contribuindo para a permanência do status quo. A pesquisa irá acompanhar, registrar e descontruir as narrativas do telejornalismo local na cidade de São Paulo das emissoras: TV Globo, SBT, TV Bandeirantes, TV Record, TV Gazeta e TV Cultura. Para isso adotaremos como metodologia o Estudo de Narrativas e a Análise de Discurso (AD). Serão também realizadas entrevistas com jornalistas que atuam diretamente na elaboração desses telejornais, desde a escolha da pauta até a edição final do noticiário. Em um segundo momento, serão analisadas as reportagens realizadas em São Paulo, porém exibidas em cadeia nacional nos telejornais dessas mesmas emissoras, cotejando as diferenças e semelhanças nas narrativas e linguagens adotadas para representar a cidade de São Paulo. A partir da pesquisa, buscamos compreender quais as estratégias adotadas nas narrativas dos telejornais locais e nacionais na construção das representações sobre a cidade de São Paulo. As narrativas utilizadas pelo telejornalismo permitem novos modos de falar e representar as relações entre a população paulistana e sua metrópole? No modo de fazer jornalístico, marcado por novas tecnologias que permitem maior participação do público telespectador, permite a construção de um novo olhar sobre a cidade? Relevância para a área e pertinência à linha de pesquisa A relevância do projeto está vinculada a possibilidade de contribuição do jornalismo na construção de novos olhares sobre a cidade de São Paulo e sua ocupação pela população. Pretende-se ajudar a repensar novas narrativas e processos produtivos na prática jornalística que possibilitem novos enquadramentos sobre a maior cidade brasileira. A pertinência à linha de pesquisa Linguagens Jornalísticas e Tecnologias é justificada pela análise da reconfiguração das narrativas e seus impactos sobre os processos de noticiabilidade e valores referenciais do jornalismo com relação à cidade de São Paulo.

Responsável: Prof. Ms. Edson Rossi

Narrativas fragmentadas, típicas da contemporaneidade, têm exigido de forma ascendente um novo repertório conceitual e de abordagens por parte da comunicação jornalística. Nesse universo, as narrativas sempre se comportaram como nucleares para a construção de identidade. É por meio das narrativas que se distinguem os diferentes jornalismos praticados em três esferas decisivas: a esfera da plataforma, a esfera do tema (também conhecido por editoria) e a esfera do público. Assim, na primeira dessas esferas (a da plataforma) é a narrativa que dará contornos para que o texto em rádio seja distinto do texto em revista que, por sua vez, se distingue do texto televisivo e assim sucessivamente; a segunda esfera é a construção de identidade por campo temático, o que leva o texto em esportes a ter características específicas em relação ao texto em economia, que traz peculiaridades em relação ao texto de política…; a terceira esfera é a esfera da construção de identidade por público, em que o exemplo pode ser um texto de cultura sobre o mercado de cinema: ele será elaborado de determinada forma para faixas etárias distintas, ou para grupos sociais diferentes. O universo digital transformou essa dimensão nuclear das narrativas e ampliou suas aplicações. A proposta de projeto é elencar e estudar os recentes modelos narrativos jornalísticos, em especial os formatos fragmentados contemporâneos, os quais se pode chamar de micronarrativas. Não se trata, a priori e apenas, de textos menores ou curtos. Trata-se de como contar histórias em diferentes plataformas de diferentes maneiras e de forma que o jornalismo seja consumido em múltiplos ambientes. Pode-se situar a metodologia em dois âmbitos. Num primeiro momento identificando novos modelos narrativos jornalísticos. Num segundo, identificando o cruzamento de linguagens que sempre se comportaram de forma estanque encontrando uma espécie de modelo comum. A busca por padrões se dará em dois campos: analisando por fontes de informação num mesmo canal de distribuição (narrativas de diferentes veículos impressos, por exemplo, sobre um tema determinado); e analisando por canais de distribuição de uma mesma fonte (como determinado tema é tratado por um grupo de comunicação em seus diversos canais de distribuição). Em função de as micronarrativas e narrativas fragmentadas alcançarem, nos modelos atuais, múltiplas funções também se buscará a identificação e o mapeamento de novas linguagens e modelos narrativos, típicos do mundo digital, como o uso intensivo crescente de vídeos e infografias, sempre levando em consideração seu caráter fragmentado, tanto em espaço quanto tempo. Mapear esse novo modus operandi narrativo, formado de micronarrativas, narrativas fragmentadas, convergências narrativas e narrativas conhecidas como 360 Graus (ou multimídia), entre inúmeras outras denominações, será determinante para se enxergar e estudar o novo modelo de distribuição de notícias e propagação de informação, em que players tradicionais mudam de escopo ou mesmo perdem espaço junto a novos players. As dimensões de atuação do mercado de jornalismo estão diretamente vinculadas aos modelos micronarrativos e de narrativas fragmentadas adotados. A identificação de padrões deve ajudar na concepção e na análise de modelos recorrentes, de modo que a qualidade do conteúdo possa ser debatida, questionada, elencada. Além disso, se pode supor que pesquisas nesse campo colaborem para a formação de um novo repertório profissional na comunicação e, em particular, no jornalismo. Espera-se, por fim, que o estudo do jornalismo pelo recorte das micronarrativas amplie as discussões relacionados ao futuro da distribuição de informação, provavelmente o tema mais contundente e urgente da comunicação contemporânea. Sendo tema nuclear ao jornalismo, a narrativa sempre foi decisiva para a segmentação editorial, para a classificação dos meios em diferentes campos de atuação, para a distinção entre os próprios veículos, além de fundamental para a definição de perfil de público. Os modelos narrativos, no entanto, por mais diversos, seguiam padrões havia muito tempo consolidados. A contemporaneidade e, em especial, o avanço tecnológico recente transformaram esse status quo e trouxeram novas dimensões não só à distribuição de conteúdo, como também nos modos de se verificar seu consumo. Nesse cenário, o conteúdo fragmentado parece imperativo, mesmo não sendo único, assim como é notável a ascensão da imagem, em especial da imagem em vídeo ou animada. Dessa forma, lançar luzes sobre as micronarrativas e as novas gramáticas jornalísticas contemporâneas é de total adequação à linha de pesquisa “Linguagens Jornalísticas e Tecnologias”.

Responsável: Profa. Dra. Gisely Hime Pretende-se verificar em que medida o Jornalismo Contemporâneo se oferece como possibilidade de debate pautado pelo interesse público, ferramenta de legitimação da Democracia e de estímulo à consciência crítica. Acreditamos que as teorias do jornalismo devem incentivar uma articulação entre teoria e prática com vistas a fomentar uma análise crítica das linguagens entre os estudantes de jornalismo. Para tanto, este projeto considerará diferentes produtos jornalísticos, representativos de variados formatos, linguagens e plataformas tecnológicas, com o intuito de observar os processos de produção da notícia mediados pelos fenômenos socioculturais contemporâneos. O impacto da velocidade nas linguagens jornalísticas no cenário tecnológico contemporâneo, intensificação do uso da linguagem humorística no jornalismo e certa diluição de fronteiras entre o entretenimento e a informação jornalística serão aspectos problematizados ao longo da pesquisa. Considerando como matriz o modelo de macropragmática do Jornalismo proposto por Manuel Chaparro, como também conceitos da Teoria do Jornalismo, selecionaremos, na primeira etapa da pesquisa, produtos jornalísticos representativos de variados formatos, linguagens e plataformas tecnológicas, para analisar a relação entre essas linguagens e a produção de discursos críticos qualificados. Na fase posterior, o objetivo é fazer um estudo de recepção com estudantes de jornalismo da cidade de São Paulo para compreender em que medida as narrativas jornalísticas, sob o impacto das novas tecnologias, contribuem para a participação crítica e ativa dos cidadãos.

Responsável: Profa. Dra. Juliana Doretto

Este projeto tem como objetivo discutir possíveis reconfigurações da compreensão do que é notícia por adolescentes brasileiros, a partir do estudo de narrativas desses jovens sobre seu consumo de informação, principalmente por meio das novas mídias. Uma das conclusões de nossa pesquisa de doutorado (DORETTO, 2015) foi a observação, em discursos de crianças mais velhas e de adolescentes brasileiros e portugueses, a manifestação de um “conceito expandido de notícia”, que surge, principalmente, no contato desses jovens com informações publicadas em redes sociais ou divulgadas em aplicativos. Ser novo (e interessante) para eles torna-se o elemento definidor da notícia, e não o fato de a origem do discurso ser uma produção jornalística. Esse fenômeno deve ser entendido dentro de um contexto maior de consumo do jornalismo por crianças e adolescentes (BUCKINGHAM, 2003), tradicionalmente marcado por desinteresse ou desconfiança. A partir disso, propomos o seguinte problema de pesquisa: as novas formas de consumo de conteúdos digitais alteram os padrões de reconhecimento da produção jornalística entre os adolescentes brasileiros? Objetivo geral: compreender como essas possíveis transformações no discurso sobre a notícia interferem na credibilidade que o jornalismo busca ter perante a sociedade cuja atualidade quer reportar. Objetivos específicos: (a) Identificar as exigências que o público jovem tem com essas novas fontes de informação; (b) Entender se diferentes contextos socioeconômicos interferem nessas percepções; (c) Refletir criticamente se o jornalismo, nas suas próprias rotinas de produção, pode colaborar para que esse público reconheça os elementos fundamentais (técnicos e éticos, para além dos estéticos) da construção narrativa noticiosa e os valorize. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual propomos utilizar o método de entrevista participativa: o objetivo é que os adolescentes auxiliem na construção da pesquisa, de modo que não sejam vistos apenas como “objetos de estudo”, mas parte da investigação, propondo assuntos e exemplos para debate. Nossa proposta é organizar 12 discussões, na cidade de São Paulo, divididas de acordo com a faixa etária (jovens com 15 e 16 anos ou entre 17 e 19 anos) e com o estatuto socioeconômico, ao longo de três anos. Como resultados esperados, a pesquisa aqui proposta pode auxiliar os jornalistas a identificar nos jovens os pontos em que o jornalismo falha na construção de uma relação de confiança e mútua dependência, e entender por que os mais novos nem sempre se preocupam com a fonte das informações é o primeiro passo para implantar mudanças que possam reverter essa situação, fidelizando um novo grupo de público-leitor. Além disso, o problema resumido no “conceito expandido de notícia” (ou também o que se chama de “fake news”) se espalha por outras faixas etárias, e compreender as mudanças no reconhecimento da informação jornalística entre os jovens auxilia no desenho de estratégias, dos próprios jornalistas, para tentar alterar esse quadro. Por fim, ao abordar possíveis mudanças nas formas de reconhecimento da notícia pelo público jovem (em meio a transformações tecnológicas que impactam as formas de produção e de consumo do jornalismo) e se propor a investigar o tema por meio de um estudo de recepção, este projeto contribui para a linha de pesquisa “Linguagens Jornalísticas e Tecnológicas”, do Programa de Mestrado Profissional em Jornalismo do FIAM-FAAM – Centro Universitário, ao qual está ligado.

Responsáveis: Prof. Dr. Rafael Grohmann e Profa. Dra. Michelle Roxo
Em um cenário marcado por novas relações de trabalho e pela flexibilização das formas de emprego, a proposta do projeto é mapear e compreender o significado da noção de empreendedorismo no âmbito da atuação profissional jornalística, mobilizada no discurso de diferentes atores sociais do campo jornalístico. O empreendedorismo discutido aqui não é aquele que circula e se consome nas revistas, nos jornais e na televisão, tomados como dispositivos jornalísticos, mas o empreendedorismo ligado ao trabalho, às práticas jornalísticas e a uma dada definição de identidade, que vem sendo forjada nos debates sobre o modo de ser profissional (apontado como desejável ou necessário) no cenário contemporâneo. Em um primeiro momento, a pesquisa buscará mapear os sentidos de empreendedorismo a partir de: a) análise de artigos veiculados no Observatório da Imprensa, importante lugar de discussão do ethos jornalístico ; b) análise da literatura especializada sobre jornalismo, especialmente os livros destinados a ajudar o jornalista ou aluno de jornalismo a “ter sucesso” na profissão; c) análise dos currículos dos cursos de jornalismo da região metropolitana de São Paulo, de modo a compreender a presença do empreendedorismo na definição do perfil profissional do egresso. Numa etapa posterior, a pesquisa realizará entrevistas em profundidade e grupos de discussão com atores ligados ao campo jornalístico situados na região metropolitana de São Paulo: jornalistas, professores universitários, estudantes, representantes sindicais e profissionais que ocupam cargos de chefia em empresas de comunicação. A partir da pesquisa, buscaremos compreender como circulam os sentidos de ser jornalista por meio do chamado “jornalista-empreendedor”. As práticas e as narrativas empreendedoras estão nas empresas, nas escolas, nas redes sociais, na publicidade, na política, na economia, no jornalismo. Elas circulam por diversos campos sociais e são consumidas por diferentes agentes. Cremos que esta noção de empreendedorismo, que parte de uma gramática do mundo empresarial, ganha diferentes definições, em função da posição e trajetória dos sujeitos que a mobilizam, sendo alvo de disputas de sentido. O mapeamento desses dados nos dará pistas sobre perspectivas do mercado de trabalho jornalístico e sua configuração atual. Relevância para a área e pertinência à linha de pesquisa Com a pesquisa, evidencia-se compreender as novas práticas profissionais, não mais ligadas necessariamente ao ethos do “jornalista de redação”, e com isso, pensar em estratégias e práticas profissionais, bem como problematiza-las, justificando a relevância da pesquisa para a área “Práticas Jornalísticas”. A pertinência à linha de pesquisa “Jornalismo e Mercado de Trabalho” é justificada pela análise das mudanças dos cenários dos profissionais jornalistas em São Paulo e como emergem novas formas de pensar o fazer do jornalismo e, consequentemente, novas possibilidades para o mercado de trabalho jornalístico.
Responsável: Prof. Dr. Francisco de Assis

O projeto se volta à problemática das rotinas e dos processos produtivos do jornalismo contemporâneo, focando-se no território brasileiro – mais especificamente, em São Paulo, cidade onde estão instaladas sedes e/ou filiais dos principais veículos midiáticos do país e, também, onde se manifestam fenômenos singulares, como uma expressiva imprensa de bairro, considerada a segunda maior do mundo. Investiga ações, estratégias e outros procedimentos adotados tanto por profissionais ligados a empresas (impressos, eletrônicos e digitais), inseridos na lógica da indústria da mídia, quanto por aqueles que atuam em instituições públicas e do terceiro setor (dando formas a mídias específicas) ou que trabalham autonomamente (freelancers, blogueiros), de modo a compreender e a repensar a(s) identidade(s) da profissão. O acompanhamento e a consequente análise dos modos de produção de jornalistas atuantes na capital paulista (em jornais, revistas, emissoras de rádio e de TV e plataformas da web) são realizados com o uso de, basicamente, duas técnicas de pesquisa, coerentes à perspectiva teórico-metodológica do newsmaking (a que o projeto de vincula): a observação participante (com imersão nos ambientes mencionados, para exame de seus procedimentos rotineiros) e a entrevista em profundidade (utilizada para mais bem compreender as estratégias identificadas e que nem sempre se mostram claras, assim como para perceber a própria percepção do profissional a respeito de seu desempenho no âmbito jornalístico). Diagnosticando e comparando tendências, busca-se sinalizar as dinâmicas de um cenário visivelmente em transformação, quer pela forte influência dos aparatos digitais nos fluxos de circulação das informações de atualidade, quer pelas próprias mudanças ocorridas no meio social. Espera-se, com isso, atualizar o repertório disponível a respeito da questão, necessidade que se nos apresenta como desafio constante, em razão da dinamicidade do objeto. Ambiciona, ainda, subsidiar diálogos com jornalistas, a fim de propor melhorias e adequações pertinentes às atividades por eles desenvolvidas, principalmente no que diz respeito aos tratamentos conferidos à informação de atualidade e de interesse coletivo. Relevância para a área e para a linha de pesquisa Vinculado a uma linha de pesquisa orientada a pensar o mercado jornalístico, o projeto, além de aderente aos seus pressupostos e objetivos, situa as rotinas produtivas e, consequentemente, as questões indenitárias da profissão no bojo das discussões gerais promovidas a respeito do ambiente de trabalho do jornalista.

Responsável: Profa. Dra. Cláudia Nonato
Jornalistas que estão atuando fora de grandes corporações de mídia, empresas de assessoria de comunicação ou de outras empresas consolidadas, para atuar em jornalismo local, comunitário, a partir de/para a periferia da cidade de São Paulo. O jornalismo, que nasceu sobre os moldes dos ideais do Iluminismo, perde, mais uma vez, sua configuração. Está saindo dos domínios da redação, e tornando-se um gerador de notícias. E, diante de mais uma “crise jornalística”, novos arranjos de produção de notícias tomam forma na internet. É a partir desse cenário que os profissionais se apropriam das tecnologias digitais da comunicação para atuar em coletivos organizados horizontalmente, em busca de independência dos grandes grupos de comunicação, apostando em um modelo de jornalismo sem fins lucrativos para manterem a autonomia. O objetivo geral da pesquisa é mapear as iniciativas de jornalistas que atuam na periferia da cidade de São Paulo. Pretende-se, a partir desse mapeamento, entender a nova configuração do jornalismo alternativo, local e comunitário, além do chamado “jornalismo periférico”. Buscaremos também traçar um perfil dos jornalistas que desenvolvem esse trabalho, a partir de suas falas, rotinas produtivas e sustentabilidade. A metodologia adotada será a pesquisa exploratória, em duas fases: a primeira, a partir do levantamento bibliográfico e mapeamento via internet para a construção da amostra. A segunda etapa da pesquisa será a coleta de enunciados dos jornalistas sobre o trabalho deles. Essa coleta será feita por meio de entrevistas com os profissionais e seleção dos materiais jornalísticos produzidos, para a composição de um corpus de análise. A pesquisa adequa-se às necessidades do mercado de trabalho jornalístico atual, e busca trazer respostas a indagações relacionadas a dificuldades, formas de resistência e também de subsistência na profissão. Ao conhecer e divulgar o perfil do jornalista que está trabalhando atualmente com foco no social, entendemos que nossas motivações são adequadas à linha de pesquisa “jornalismo e mercado de trabalho”.

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