22 de Maio

Formação científica online nas aulas de ciências: uma oportunidade?

Um dos grandes desafios para nossa sociedade no século XXI é a educação científica de jovens e adultos com o objetivo no desenvolvimento de habilidades e exercício da cidadania. Outro ponto importante na educação é a inclusão dos estudantes ao universo digital. Como fazer essa associação nas aulas de ciências?

O professor Daniel Manzoni de Almeida, docente dos cursos da Escola da Saúde da FMU, coordena diversos projetos de pesquisas em ensino de ciências, em especial Biologia, utilizando o potencial das metodologias ativas nas aulas para ensino básico e superior. Um dos projetos do professor envolve a associação de metodologias ativas de ensino de ciências e informática.

Alguns anos atrás, no início das pesquisas do professor Daniel, ele desenvolveu atividades de biologia, com temática em Imunologia, com base na metodologia ativa de ensino por investigação, também conhecida como ensino por pesquisa. Essa metodologia consiste a engaja-los a fazer perguntas, criar hipóteses, desenvolver métodos de análises, obter resultados e propor conclusões científicas. Dessa forma, desenvolvendo a alfabetização científica dos estudantes. Entretanto, essas atividades só podiam ser realizadas presencialmente em sala de aula. “O meu objetivo era proporcionar a experiência da cultura científica a todos e todas. Uma democratização da experiência científica”, comenta o Professor Daniel. Foi então que ele buscou parceiras para o desenvolvimento das atividades na modalidade online e atingir seus objetivos para além da pesquisa, mas humanitários. A parceira foi estabelecida com a Professora Patrícia Marzin da Universidade de Grenoble e com sua orientanda de doutorado pelos Departamento de Bioquímica e Imunologia, Paula Seixas Melo. Na parceria, os pesquisadores conseguiram financiamento europeu e transpuseram as atividades investigativas para a plataforma de ensino Labbook desenvolvida para as aulas praticas de ciências da Universidade de Grenoble.

Os resultados de pesquisa obtidas do projeto do professor Daniel, mostram que grupos de estudantes, do ensino básico e de graduação francesa e brasileira, ao realizarem uma atividade científica utilizando uma metodologia ativa, o ensino por pesquisa por meio de uma plataforma totalmente online desenvolvida pelo grupo francês de parceira do professor Daniel, mobilizaram um importante marcador da alfabetização científica da mesma forma que os alunos ao realizarem a mesma atividade de forma presencial: a capacidade de propor argumentos científicos escritos.

Recentemente estes resultados, em formato de um artigo intitulado “Como estudantes do ensino médio argumentam em uma situação investigativa de imunologia na plataforma LabBook” foram apresentados na L’Association pour la Recherche en Didactique des Sciences et des Technologies (ARDiST), um importante congresso na área de ensino de ciências.

“Esperamos contribuir para alternativas da alfabetização científica e interesse de jovens e adultos pela ciência no mundo”, deseja o docente Daniel.


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